Abri os braços e caminhei devagar pela rua escura, cheirando a chuva de ontem. A noite tem poder sobre mim e eu andava desarmada, quase louca, quase enferma. Os olhos alcançavam centímetros e pouco importava a miopia. À noite os gatos são pardos e veem. Eu continuava transparente e cega no breu. Passo um passo dois passo três, um de cada vez até enfiar o pé num buraco raso, fofo. Retirei e ficou a dor do entorce, latejando. A luz forte de um carro me revelou na noite. O carro parou, um homem abriu a porta do motorista e estacou. Era louca, por acaso? E o senhor, é? Meus olhos se protegiam daquele falso amanhecer. Desviei e segui descendo a rua, de novo escura, de novo noite, de noite eu.

 



Escrito por Angela Senra às 16h04
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