Ela aprendeu a desprezar com a mãe. Olhar vertical lá longe, boca semi aberta, corpo duro virado para o oeste. Se a contrariavam, se o ego não fosse amaciado mil vezes, nascia o ódio disfarçado de altivez. Não aceitava que fugissem da luta, jamais desistia de uma briga. Seu prazer maior era a derrota alheia, a rendição dos que sucumbiam à sua artilharia pesada. Estivesse certa ou errada, não vinha ao caso, estava sempre certa. Conhecia o que todos desconheciam, caminhava sob as águas como Jesus fosse. Quem disse que não podia ser o Cristo reencarnado? Ninguém mais adequado que ela, mulher de moral irrefutável que carregava a verdade no ventre e na testa, em cada mão e no estômago. Quem sabe a Virgem Maria, mãe de Deus. Papéis menores não cabiam a alguém como ela. A glória era seu caminho e destino. A verdade e a vida. Pelas vias do rancor e do ciúme, caminhava santificada por si, desprezando quem ousasse não apoiá-la. Aprendeu com a mãe a ser pedra, não pedregulho. Pedra faz sangrar ao ser atirada na testa, marca para sempre, impõe. Pedregulho é coisa que se pisa e dói pequeno. Pedra, não.



Escrito por Angela Senra às 13h35
[] [envie esta mensagem] []



[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]





Meu perfil
BRASIL, Mulher, Livros, Cinema e vídeo, Escrever


Histórico
Votação
Dê uma nota para meu blog


Outros sites
Deborah Dornellas
Guta Gibelli
Guta Gibelli
Noemi Jaffe
Marcelino Freire
Isabel Pinheiro
Revista piauí
Danielle Cotrim
Giovanna Vilela
Aline Camargo
le petit vert
Sérgio Rodrigues
Marina
Matheus Hruschka
Daniela Salu
Adriana Marmo
Estela Madalosso
Bento e Vitor
Fernando Gonsales
Eduardo Muylaert
Adão Iturrusgarai
Elcio Thenório
Revista Bravo!
Aline Cântia
Carol e Clara
Ecomamy
Casa da Chris
Daniele Tavares
Karina Hollo
Leo Chacra
Bel Ascenso
Eliana Loureiro
Claudia Visoni
Malu Alves